Como montar um projeto de inovação perfeito para a sua escola?

Artigo
MIN. DE LEITURA

 

Oferecer plataformas digitais para auxiliar no processo de aprendizagem do aluno, usar diferentes formas de aprendizado e muitas outras ideias fazem parte do cotidiano de escolas que buscam oferecer inovação aos seus alunos.

Mas, antes que isso aconteça, é necessário que a instituição desenvolva essas novidades por meio de um projeto de inovação consistente e, acima de tudo, adaptado à realidade da escola, de seus estudantes e de todas as partes envolvidas.

Mas, como montar um projeto de inovação perfeito para a sua escola, e como saber quais projetos valem a pena ser priorizados? É isso que vamos ajudar você a fazer por meio das dicas abaixo!

Como as escolas podem desenvolver projetos inovadores?

O primeiro estágio para criar projetos inovadores no setor educacional é entender quais são os tipos de inovação e como utilizá-los conforme os desafios da instituição e do aprendizado dos estudantes. Os tipos de inovação na educação são:

Inovação pedagógica ou produto educacional: envolve o desenvolvimento de novos projetos relacionados à prática pedagógica, ao ensino e ao aprendizado;

Inovação de processos: trata das mudanças nos fluxos, métodos e processos e desenvolvimento de novos processos dirigidos à eficiência ou formas únicas de produção ou entrega do serviço educacional;

Inovação organizacional: congrega as iniciativas voltadas à reestruturação de recursos humanos e ativos relacionados à gestão de mudança, transformação cultural e capacitação.

Tendo em vista essas três abordagens da inovação, a próxima etapa para a liderança escolar é identificar os desafios ou problemas relacionados a elas e que são vivenciados pela escola.

Por exemplo, a instituição pode identificar que a proficiência em Matemática é um problema relacionado à inovação pedagógica, ou que o processo formação/qualificação de professores exige mudanças incrementais por causa da necessidade do desenvolvimento de novas habilidades impostas pelo ensino remoto.

Alguns exemplos de questionamentos que a escola pode se fazer a respeito dos problemas:

  • Que problema você está buscando responder e por que ele é importante?

  • Para quem isso é um problema?

  • Quais fatores culturais/sociais influenciam neste problema?

  • Que evidências indicam que esse problema vale o investimento?

  • É possível analisar este problema a partir de outro ponto de vista?

Pode ser preciso combinar mais um tipo de inovação para resolver certo problema ou desafio. Vamos considerar um caso em que a implantação do aprendizado se dá por projetos. Pode ser que a escola identifique que é necessário desenvolver ou contratar uma nova solução tecnológica para garantir o aprendizado por projetos em ambiente online.

Isso exigirá, por sua vez, a qualificação de docentes, mudanças estruturais na organização dos estudantes no ambiente virtual e a contratação de tutores. Perceba que, aqui, considera-se os três tipos de inovação: pedagógica, de processos e organizacional.

Em outras palavras, a instituição deve analisar quais são os objetivos mais importantes relacionados à inovação escolar e estabelecer um planejamento que permita a concretização desta transformação.

A priorização de determinados projetos vai depender de muitas variáveis da escola, como orçamento, disponibilidade de pessoal, possibilidade de aplicação, consentimento dos responsáveis etc. Entretanto, há alguns questionamentos que podem ser levantados para ajudar nesta escolha:

  • Qual é a viabilidade financeira e logística deste projeto?

  • Quantas pessoas ele beneficiará?

  • Quais benefícios ele trará para os envolvidos?

  • É projeto interdisciplinar e que pode envolver diversas disciplinas e saberes?

Como construir um projeto palpável para que as pessoas entendam a minha ideia?

Para desenvolver um projeto concreto que seja compreendido por outras pessoas, o ideal é dividir a criação dele em 4 frentes distintas:

Conscientização: chame os interessados ou que serão impactados pelo projeto para co-criar as primeiras fases com o objetivo de exercitar a empatia e obter as percepções sobre as verdadeiras necessidades do público-alvo. Por exemplo, você pode convidar estudantes, responsáveis e tutores caso seja preciso;

Ajustes e revisão: faça sessões de revisão do projeto para ajustes de trajetória e de priorização. É indicado que haja um grupo de decisores, que pode ser escolhido a partir do momento da conscientização;

Realize pequenas entregas: use métodos ágeis para garantir entregas semanais;

Plano de comunicação: desenvolva um plano de comunicação com linguagem compreensível de acordo com o público-alvo. Leve em consideração que os estudantes se interessam por uma linguagem adequada ao mundo e à geração deles, que pode ser muito diferente da dos seus professores, responsáveis e tutores. Se for preciso, estabeleça diferentes modelos de comunicação. Uma ideia é construir um calendário de comunicação, em que se podem escolher datas para comunicar cada perfil de pessoa afetada na comunidade escolar.

Quais são as coisas que não podem faltar em um bom projeto de inovação?

Um bom projeto de inovação precisa, sobretudo, de organização. E isso significa atuar por meio de diferentes abordagens, que separamos aqui nos seguintes pilares:

Agilidade: adote metodologias que tornem o trabalho mais rápido e produtivo. Por exemplo, em vez de conceber o projeto apenas em atividades grandes, quebre essas atividades grandes em tarefas menores e acionáveis;

Comunicação: estabeleça uma linguagem clara, comunique constantemente o andamento do projeto e engaje os interessados. Mantenha um canal de comunicação aberto e ofereça e peça feedback;

Empatia: procure pôr em prática a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir a dor/necessidade do usuário, sem aferir qualquer julgamento pessoal. Neste caso, escutar mais do que falar é uma boa prática;

Investigação e curiosidade: identifique os problemas por meio de pesquisas com usuários. No caso das instituições, as pesquisas devem ser realizadas com o público que sente a dificuldade/dor, que pode ser o corpo administrativo, o estudante, os professores ou os responsáveis. As entregas devem se basear sempre em dados e evidências;

Parcerias: opte pelas parcerias certas para o seu projeto de inovação. Evite fazer tudo sozinho; há empresas e pessoas com mais competências e habilidades que você em determinadas aplicações e contextos;

Planejamento: determine indicadores, metas e objetivos com clareza;

Prestação de contas: sempre preste contas do projeto aos interessados e à comunidade. Adote medidas éticas e transparentes que possibilitem às pessoas acompanharem os resultados de forma idônea.

Quais são as coisas que não podem faltar em um bom projeto de inovação?

Caso as etapas sugeridas anteriores forem adotadas, é bem provável que impactados pelo projeto, interessados e patrocinadores se engajem no projeto e saibam o que esperar. Isso é essencial para reduzir os riscos de uma lacuna na comunicação.

Também é fundamental assegurar que existe uma diferenciação entre a gestão de projeto e a de gestão de produto educacional. O que distingue essas duas vertentes de gestão é que, enquanto um projeto tem um tempo determinado e prazo para terminar, o produto está sempre em evolução.

É importante ter essa divisão em mente, pois ela é fundamental para que a instituição assegure que as melhores práticas e métodos serão adotados segundo as necessidades de inovação. Além disso, também é imprescindível pensar que o produto é contínuo e envolve custos no tempo; já o projeto tem um orçamento pré-definido, e portanto, finito.

“A maior ambição do inovador é que sua inovação se torne tradicional".
Carlos Drummond de Andrade

Quais são as coisas que não podem faltar em um bom projeto de inovação escolar?

Para iniciar o desenvolvimento do seu projeto e colocá-lo em prática, você pode dar o primeiro passo aplicando os pontos de empatia e investigação, escutando os envolvidos e suas dores/problemas, para só depois refletir sobre uma solução.

Na instituição, é normal termos um modelo de gestão que baseia-se em uma administração tradicional, que leva em consideração apenas as questões relacionadas à liderança para determinar o problema e a solução. Essa gestão não funciona para a criação de novos projetos e para lidar com a complexidade inerente ao aprendizado nos dias atuais.

Quando a etapa de investigação for iniciada, busque adotar métodos ágeis que possibilitem avanços, erros e validações rápidas, definindo ciclos de entrega curtos. Esse fluxo vai possibilitar a minimização de riscos e alinhamento de expectativas ao longo do projeto.

Um aspecto que pode ajudar é fazer pequenas entregas e reuniões de alinhamento do projeto semanais. Já as entregas maiores e reuniões mais expressivas podem ser realizadas bimestralmente.

A ideia de adotar metodologias ágeis em vez do método de gestão de projetos é especialmente interessante para instituições que não fazem parte de grupos educacionais e têm menos de mil estudantes. Essa técnica é indicada para dar mais velocidade e envolver as pessoas, em especial em projetos com grande grau de incerteza sobre o resultado.

Outro ponto que pode funcionar é fazer parcerias para que o projeto de inovação tenha pontos que gerem e adicionem valor para o público-alvo, e não apenas para quem o desenvolve e/ou o patrocina.

E, por último, não se esqueça a adoção das dicas dadas é uma maneira de conquistar o compromisso das pessoas e mantê-las engajadas ao longo do projeto.

Esperamos que este post ajude a sua instituição a repensar o desenvolvimento de um projeto de inovação adaptado e específico para sua escola, seu público-alvo e sua comunidade!

Texto originalmente publicado no Blog Educação em Movimento